Bolsonaro elimina a ideologia transgênero e pró-gay das escolas

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, anunciou planos na semana passada de revisar livros didáticos em escolas públicas e eliminar referências à homossexualidade, “casamento” entre pessoas do mesmo sexo e violência contra as mulheres.

Há também propostas para dar o controle militar de algumas escolas públicas. Assim que Bolsonaro assumiu o cargo, o Ministério da Educação emitiu novas diretrizes para os editores de livros didáticos que apagaram referências à ideologia de gênero e ao sexismo. O ministério também eliminou o departamento de diversidade.

Na véspera de sua posse em 1º de janeiro, Bolsonaro twittou suas intenções: “Um dos objetivos para tirar o Brasil das piores posições nos rankings internacionais de educação é combater o lixo marxista que se espalhou nas instituições educacionais”.

O ministro da Educação Ricardo Velez Rodriguez prometeu em seu discurso inaugural encerrar a “promoção agressiva do gênero ideologia.”

Em uma pesquisa publicada em 8 de janeiro pelo Datafolha, 59% dos cristãos evangélicos disseram que não aprovavam a educação sexual sendo discutida na escola. A pesquisa, realizada de 18 a 19 de dezembro, foi baseada em 2.077 entrevistas. Católicos conservadores e cristãos evangélicos são os principais defensores do governo Bolsonaro.

Bolsonaro já está sentindo uma pressão dos sindicatos de professores do Brasil, que se ressentem da oposição do presidente ao legado do esquerdista Paulo Freire, cujos livros e filosofia sobre educação têm sido influentes em todo o mundo. Freire, que morreu em 1997, foi um dos fundadores da pedagogia crítica.

Seu trabalho tem sido criticado por desafiar instituições tradicionais, como igreja e família, que intermediam o estado e os indivíduos. A pedagogia crítica afirma que o ensino é inerentemente político e que o objetivo da educação é a ação política e a crítica social.

Críticas a Paulo Freire e inspiração em Olavo de Carvalho

Durante a campanha presidencial de Bolsonaro no ano passado, ele disse que queria entrar no Ministério da Educação com um lança-chamas para remover Paulo Freire. Como inspiração para reformar a educação, Bolsonaro parece estar confiando em um brasileiro residente nos Estados Unidos, Olavo de Carvalho, conhecido por se opor ao socialismo.

Em contraste com Freire, que foi preso brevemente durante uma ditadura na década de 1970, de Carvalho vê um benefício educacional de escolas religiosas e privadas.

Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, ele disse: “O governo não precisa educar ninguém; é a sociedade que tem que se educar”.

O ministro da Educação, Velez Rodriguez, disse que não apenas as escolas, mas a família e a igreja estão ameaçadas pelo que chamou de “onda globalista louca”. Na semana passada, ele denunciou o mau comportamento de seus compatriotas quando viajava para fora do país, dizendo à revista “Veja”: “os adolescentes devem receber a educação para a cidadania, que ensina como agir de acordo com a lei e a moralidade”.

Velez disse ao jornal “Folha de S. Paulo”, que o Ministério da Educação está incentivando as autoridades locais a permitir que a polícia ou os militares operem nas escolas. Atualmente, o país tem 13 escolas administradas pelos militares destinadas aos filhos de soldados. As escolas dirigidas por militares aceitaram algumas crianças não-militares com base no mérito e têm a reputação de serem melhores do que outras escolas públicas.

Bolsonaro recebeu um impulso do poderoso empresário Sergio Borriello, que disse ao jornal: “Acho que o Brasil precisa de um pouco menos de ideologia e mais pragmatismo. O emprego é mais importante, o sustento de várias classes sociais é mais importante que a posição do presidente sobre os homossexuais “.

Vale lembrar que o Brasil ocupou o 63º lugar entre os 72 países e regiões do Programa Internacional de Avaliação de Alunos 2015, conduzido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Segundo o grupo, o Brasil possui uma das maiores participações de adultos sem ensino médio. As escolas estão superlotadas, os salários dos professores são baixos e os prédios das escolas estão desmoronando.

Mais de 5.800 escolas não tinham abastecimento de água em 2017, quase 5.000 não tinham eletricidade e 8.400 não tinham esgoto, segundo dados do governo.

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