Brasil oferecerá ajuda humanitária à Venezuela perto da fronteira

O chanceler Ernesto Araújo se reuniu com Maria Teresa Belandria, nomeada há seis dias por Juan Guaidó como embaixadora venezuelana no Brasil.

Brasil oferecerá ajuda humanitária à Venezuela perto da fronteira

O governo brasileiro vai criar um centro de distribuição de ajuda humanitária em Roraima, na fronteira com a Venezuela, disseram autoridades brasileiras nesta segunda-feira (11). O anúncio foi feito após reunião entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, e a nova embaixadora da Venezuela no país, Maria Teresa Belandria.

“O governo brasileiro está definindo, em um processo de coordenação interministerial, formas de apoio que podem ser prestadas ao povo venezuelano e ao governo do presidente Guaidó no processo de transição para o restabelecimento da democracia na Venezuela”, diz o documento divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Belandria foi indicada há seis dias por Juan Guaidó, que se proclamou presidente interino da Venezuela no final de janeiro e que desafia a legitimidade da presidência de Nicolas Maduro.

“Agradecemos a todas as pessoas do Brasil, que entenderam as necessidades de todo o povo venezuelano e não levantaram qualquer resistência

[ao povo venezuelano]

”, disse Maria Teresa Belandria após a reunião.

Segundo Belandria, a população venezuelana precisa de alimentos, remédios, além de apoio logístico, transporte e segurança.

As autoridades divulgaram que a localização do centro de distribuição ainda não foi decidida, mas que provavelmente será instalada em Pacaraima ou Boa Vista, ambas localizadas no estado de Roraima.

A recém-nomeada embaixadora disse que se reuniria nos próximos dias com o grupo responsável pela ajuda humanitária coordenada pelos ministérios da Defesa e da Saúde do Brasil.

Além do Brasil, vários países, incluindo a maioria dos membros do Grupo Lima, os Estados Unidos e vários membros da União Europeia, reconheceram Guaidó como o novo presidente da Venezuela.

Questionada por jornalistas sobre sua situação de Maduro permanecer no poder, a nova embaixadora venezuelana no Brasil disse que tal hipótese não foi levada em conta. “Não trabalhamos com esse cenário”, disse Maria Teresa Belandria.

Crise na Venezuela

A economia da Venezuela está em queda livre. Hiperinflação, cortes de energia e escassez de alimentos e remédios estão levando milhões de venezuelanos para fora do país.

Quais são os números da hiperinflação?

Pode-se dizer que o maior problema que os venezuelanos enfrenta em seu cotidiano é a hiperinflação.

Esse fenômeno econômico provoca um aumento muito rápido e contínuo do nível de preços, fazendo com que o dinheiro perca seu valor rapidamente.

O resultado é que tudo fica mais caro, desde a comida até as faturas das despesas correntes.

De acordo com um estudo realizado pela Assembleia Nacional da Venezuela, nas mãos da oposição, a taxa de inflação anual do país atingiu 1.300.000% nos 12 meses até novembro de 2018. Até o final de 2018, os preços dobraram, em média, a cada 19 dias.

O que isso significa na prática? O preço de um rolo de papel higiênico disparou em agosto de 2018 para 2.600 milhões de bolívares.

Isso fez com que muitos venezuelanos tivessem que imaginar maneiras diferentes para obter produtos básicos e de limpeza.

Como isso ocorreu?

No papel, a Venezuela é um país rico. Está provado que suas reservas de petróleo são as maiores do mundo.

Mas um excesso de confiança no petróleo, que representa cerca de 95% de suas receitas de exportação, deixou o país em uma situação vulnerável quando o preço do petróleo caiu em 2014.

A Venezuela, portanto, entrou em um déficit de moeda estrangeira, o que a impediu de importar mercadorias no mesmo nível de antes, e as que chegam são escassas.

O resultado é que as empresas aumentaram os preços desses produtos escassos, dando livre curso à inflação.

O governo de Nicolás Maduro está fazendo grandes esforços para obter crédito depois que não conseguiu cumprir o pagamento de alguns dos vencimentos dos títulos do Estado.

Mas como é difícil que, na situação em que o país está, os credores façam investimentos na Venezuela, a solução encontrada pelo governo é reimprimir ainda mais dinheiro.

Então o bolívar está diminuindo e a inflação já é exorbitante.

O IVA também aumentou, passando de 4% para 6%.

Quantas pessoas deixaram o país?

Segundo dados das Nações Unidas, três milhões de pessoas, cerca de 10% da população, decidiram recolher seus pertences e deixar o país desde o início da crise, em 2014.

A migração em massa é um dos maiores deslocamentos forçados no Hemisfério Ocidental.

Destinos dos migrantes

A maioria dos migrantes decidiram ir para a vizinha Colômbia. De lá, alguns decidiram se mudar para o Equador, Peru e Chile. Outros foram para o sul do Brasil.

Cerca de 200.000 venezuelanos também emigraram para a Espanha. Muitos deles são filhos de espanhóis que vieram para a Venezuela nos anos 50 e 60, quando o país era um lugar onde o dinheiro poderia ser feito.

E aqueles que ficaram no país?

As coisas ainda são difíceis na Venezuela para aqueles que, por uma razão ou outra, ainda estão no país.

Os preços continuam a subir apesar dos esforços do governo.

Muitos empregadores já disseram que não sabem como vão pagar aos seus trabalhadores o aumento de 60 vezes do salário mínimo.

Em novembro, aumentou pela última vez e agora chega a 4.500 bolívares por mês, um valor de mais de US $ 6 no mercado negro, segundo a Dolar Today.

Os venezuelanos ainda enfrentam prateleiras vazias nos supermercados, e em algumas cidades tem havido uma escassez de falta de água e energia, causada pela falta de investimento na infraestrutura desintegrada da Venezuela.

Mas, embora as quedas de energia e a falta de água corrente sejam um problema para residências e empresas, elas se tornaram um problema mortal em hospitais públicos já deteriorados na Venezuela.

Aqueles que não podem deixar o país, muitas vezes passam dias e semanas procurando a medicação que precisam.

Com a alimentação cada vez mais escassa, os níveis de desnutrição infantil estão em um nível recorde.

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